Corre uma lenda sobre as origens do café contando que, num dado momento do Século III d. C., um pastor de cabras, chamado Kaldi, certa noite ficou ansioso quando as suas cabras não voltaram ao rebanho. Quando saiu para procura-las, encontrou-as saltitando, de forma frenética, próximo a um arbusto cujos fruto que mastigavam e que obviamente foi o que lhes deu a estranha energia que Kaldi nunca vira antes. Dizem que ele mesmo experimentou os frutos e descobriu que eles lhe davam energia extra, como aconteceu com o seu rebanho. Kaldi, evidentemente levou aquela maravilhosa "dádiva divina" ao mosteiro local, mas as reações não foram favoráveis e ele ateou fogo aos frutos, convencido de ser uma "obra do demónio".
O aroma exalado pelos frutos torrados nas chamas atraiu todos os monges curiosos em descobrir o que estava a causar aquele maravilhoso perfume, e assim, os grãos de café foram recolhidos das cinzas. O abade mudou de ideias, sugeriu que os grãos fossem esmagados na água para ver que tipo de infusão que eles davam, e os monges logo descobriram que o preparado os mantinha acordados durante as rezas e períodos de meditação. Notícias dos maravilhosos poderes da bebida espalharam-se de mosteiro em mosteiro, e assim, aos poucos espalharam-se por todo mundo.
As características botânicas sugerem que a planta do café provém da Etiópia Central (onde ainda crescem vários milhares de pés acima do nível do mar).
Ninguém parece saber exactamente quando o primeiro café foi tomado ( lá ou em qualquer parte), mas os registros dizem que foi tomado na terra nativa em meados do século XV.
Também sabemos que foi cultivado no Iêmen (antes conhecido como Arábia), com a aprovação do governo, aproximadamente na mesma época, e pensa-se que talvez os persas o tenham exportado para a Etiópia no século VI d.C., período em que invadiram a região.
O café chega, ainda no século XVII a Inglaterra, introduzido por um bispo ortodoxo grego de Esmirna, durante a sua visita a Oxford.
Em 1650 é aberto um café naquela localidade.
Os estudantes gostaram e recomendaram. Em breve o café tornava-se a bebida de eleição, especialmente em épocas de exames, passando a proliferar os establecimentos. Em 1699 os ingleses haviam-se tornado os maiores consumidores de café do mundo ocidental.
Em 1714 o burgomestre de Amesterdão presenteou o rei Francês Luís XIV com um cafezeiro. Este foi plantado no Jardin dês Plantes, tornando-se no antepassado das plantações francesas na América Central e do Sul. De Clieu um intrépido aventureiro francês, conseguiu em 1723 após sabotagens, tempestades, ataques de piratas; plantar o café no solo Martinica, nas Antilhas. A fatigada planta agradeceu e, em pouco mais de 50 anos, tinha vasta descência: 18 milhões de pés de café existiam na ilha.
Um dos defensores fèrreos do café, em França, foi o intelectual Voltaire. Certa vez, admoestado por um abade que lhe dizia ser o café um dos piores venenos, terá afirmado que era o veneno mais lento que conhecia, pois há 50 anos que o andava a beber e ainda nao tinha morrido.
Os holandeses afoitos em paragens mais setentrionais, introduziram o café na América do Norte, em Nova Amesterdão, a actual Nova Iorque. Corria o ano de 1660 e a recente bebida tinha que se impor face ao generalizado consumo de chá.
Tem a história algumas curiosidades e também fatalidades. Quando em 1773 o rei Jorge de Inglaterra impôs a obrigação de se pagar impostos sobre o chá, os colonos americanos franziram o senho. Revoltaram-se na conhecida Boston Tea Party e, voltaram-se determinantemente para o café.
Deles vem o hábito de fazer uma pausa no trabalho para degustar um café.
A Espanha e a Portugal o café chega no século XVII.
No início do século 20, o Brasil era o maior produtor mundial de café.
Actualmente, quase toda a produção de café provém da América Central, do Brasil e de outras regiões tropicais da América do Sul.
A produção mundial de café atinge mais de 100 milhões de sacas por ano. O Brasil ocupa o primeiro lugar, produzindo cerca de 35 milhões de sacas, o que representa ¼ da produção mundial.
A torrefação doméstica de café foi definitivamente substituída pelo produto industrial acabado. Em 1901, o japonês Dr.Sartori Kato apresentou o primeiro pó de café solúvel. Em 1938, a Nestlé estabeleceu as bases da distribuição comercial do café solúvel (café instantâneo).
O aumento do consumo do café reflecte-se no desenvolvimento do consumo mundial de café bruto ao longo dos últimos 250 anos:
1750: 600.000 sacas,
1850: 4 milhões de sacas,
1950: 36 milhões de sacas,
1995: 94 milhões de sacas
2000: 103 milhões de sacas.
A demanda de café transformou a matéria-prima desta bebida quente na segunda mercadoria mais importante do mundo, só ficando atrás dos derivados de petróleo. Esta tendência foi acompanhada por fases de superprodução, incineração de stocks excedentes, derrocada de preços, crises económicas mundiais, consumo decrescente durante as duas guerras mundiais e criação de acordos mundiais de café para estabilizar os preços do grão. Na Alemanha, depois da Segunda Guerra Mundial, o café tornou-se um símbolo da reconstrução e do milagre económico.